sábado, 1 de maio de 2010

12º Encontro

          Em 11/03/10, realizamos nosso 12º e penúltimo encontro, uma Oficina Livre.
 Ah! Já estou com saudades da turma!
Acolhi a turma, a grande maioria é mulher, com um poema de minha autoria e foi recitado pelo companheiro Ênio:

                                                  MULHER
ASSUME O COMANDO!


Eeeeei!
Eiiiii!
Psiu!
Ei!
É contigo mesmo, mulher, que estou falando!
Que fazes aí, assim, largada?
Pareces desconsolada, desanimada...
Que passa?
Olha ao teu redor.
Já viste que há um mundo em tua volta?
Vamos, amplia o teu olhar, lança-o adiante,
Enxerga uma palmo adiante do teu nariz.
Vai lá! Olha a vida que brota de todas as formas.
É! É isso mesmo: a vida!
É bonita demais, apesar de...
Lembra, o Gonzaguinha?
“É bonita, é bonita e é bonita...”
Toma a vida na mão.
- “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”
Não! Não a deixa te levar, não.
Zeca Pagodinho que me perdoe...
Mulher, tu tens que assumir o comando.
Tu tens que assumir o comando.
Tu é que tens que assumir o comando da tua vida.
Sabe, o mundo te espera, com teus dons,
 teus saberes, tuas experiências.
O mundo espera teu olhar feminino,
 teu enxergar longe, o teu sorrir.
O mundo espera ansioso por tua participação e colaboração.
O mundo espera que faças algo para que tua vida e a de todos seja melhor.
Sonha, e faz algo ou tudo para que teu sonho se concretize.
Estuda. Busca o conhecimento, aprende com os outros.
Partilha o teu saber.
Vamos, larga essa apatia.
A vida?
Ah! A vida? A vida é vadia,
É alegria,
É poesia. Vive! É, mulher, vive tua vida!
                                                                                     Maria José de Barros

             Conversando com os cursistas, percebi que eles precisavam de um momento para retomar os Projetos de Intervenção Pedagógica que haviam iniciado a elaborar e uma reorientação. Assim, propiciei esse momento de reorientação e foi muito bom, pois pudemos esclarecer algumas dúvidas, conversar com os colegas, na verdade, aquele tempo que na escola nem sempre temos disponível. 

             Em seguida, assistimos o documentário,
 O SABER E O SABOR, e o discutimos em 4 blocos, através da dinâmica GVGO (Grupo de Verbalização e Grupo de Orientação). É uma dinâmica onde formamos dois círculos, um maior (Grupo de Observação) e outro menor (Grupo de Verbalização), um dentro do outro. Os participantes do círculo do centro, discutem o conteúdo, enquanto os outros observam e depois também podem expressar sua opinião. Então, a cada bloco, nós trocávamos os participantes do grupo de verbalização para que todos tivessem a oportunidades de discutir o tema.
           Foi ex-ce-len-te!!!!! Ficamos todos satisfeitíssimos com as discussões que travamos:

1º Bloco: LEMBRAR

        Neste primeiro bloco, assistimos os professores falando sobre suas lembranças de quando foram alunos e colocando o que os marcou mais. Para nós, ficou que, o que marca mais os nossos alunos é o afeto, a esperança e o amor com que os tratamos. "Meu Deus, não sou uma professora amorosa, não sou acolhedora, sou tão grossa com meus alnos!" Confessou uma cursista, mas numa atitude muito séria de reflexão. Foi bonito, perceber sua coragem ao perceber seus limites e colocá-los para o grupo. Foi uma atitude de crescimento.
Parece que muitas vezes fixamos mais nossa atenção,  nos conteúdos imensos e muitas vezes inúteis, esquecendo que nem sempre o conhecimento é tão importante quanto o afeto e que temos alunos tão sofridos e maltratados, em sua maioria que, às vezes, o nosso afeto os assusta.


2º Bloco: APRENDER

          Os depoimentos nos levaram a ver a prendizagem como uma grande aventura. Nesse momento, os docentes deixaram transparecer uma certa mágoa, ao perceberem que o estudante é tão centro das atenções que chega a achar que tem apenas direitos e não tem deveres. Dessa forma, o professor sofre, sente-se desrespeitado por muitos alunos. "Professor é só sofrimento mesmo!" Desbafou uma colega. "Devemos mostrar para nossos educandos que eles devem sim, ser o centro das atenções, mas não apenas como números, mas como gente. Parece que o governo está preocupado, quando implanta seus programas, apenas com números, estatísticas positivas. Parece não estar preocupado com a aprendizagem e sim, com resultados, apenas. E aí, o professor é penalizado.", colocou outra.
          Refletimos também que o professor precisa conservar na criança, a curiosidade. O professor não deve se colocar em um pedestal como o detentor do conhecimento. O professor aprende com o aluno. Primeiro o aluno, depois o livro, o conteúdo.

3º Bloco: ENSINAR

           Neste bloco, os professores falaram do sabor de ensinar e aprender. Vimos que não podemos pedir que nosso aluno seja curioso, tenha prazer em aprender, se nós não somos curiosos nem temos prazer em aprender. Se eu gosto do que faço, meu aluno também vai gostar. Degustar é gostar do que se faz. Não podemos ter vergonha de ser professores. Ficou um questionamento: Como estou colocando sabor no meu fazer, no trabalho com meus alunos????

4º Bloco: SER PROFESSOR e O FUTURO 

Concluímos, a partir da discussão do que foi colocado no documentário, que ser professor é:

  • Ser além do econômico, do salário. É acreditar  que você pode fazer o bem para alguém;

  • Um grandedesafio;

  • Respeitar, dar-se ao respeito e exigir o respeito.


         Após as discussões no GVGO, fizemos um resumo das principais ideias colocadas pelo documentário, assim como as considerações feitas pelos grupos.
          Depois, demos as orientações finais em relação à vivência dos projetos, a conclusão do estudo e aplicação das atividades dos TP's que ainda restam e sobre as visitas que faremos às escolas.
          Concluímos nosso encontro com cada cursista dizendo o que levavam na bagagem:
  • Saudades do grupo;
  • Aprendizagem sobre o toque;
  • A dinâmica do GVGO, foi muito um momento muito rico, uma fonte onde fomos bebendo;
  • Mais coragem para recomeçar;
  • Mais aprendizado;
  • Muito conteúdo;
  • Mais trabalho para dar conta;
  • Sentimento de grupo, companheirismo, solidariedade;
  • Mais  maturidade, refletindo nossa prática;
  • Fortalecimento dos laços de amizade;
  • Tranquilidade;
  • Experiência;
  • Começamos travados na oralidade. Com o GVGO passamos a conhecer nossos colegas mais profundamente;
  • O gosto pelo saber;
  • O sabor do documentário;
  • O sabor de ouvir as experiências dos colegas;
  • Discussões ricas;
  • Desafio de despertar no meu aluno o sabor de aprender;
  • O desafio de arumar minha mala (as atividades atrasadas);
  • Motivação para enfrentar os desafios;
  • O sabor de contribuir e de receber;
  • O sabor, a alegria, o entusiamo.    
          Avalio esse penúltimo encontro como um dos momentos mais ricos de nossa formação. Como formadora, saí bastante fortalecida, ao ver que nossos encontros ajudaram os educadores a refletirem sua prática e encontrarem motivação para continuarem sua missão de despertar o sabor e a alegria da aprendizagem. ESTOU FELIZ!!!!!

Momento do lanche.